segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Trecho da entrevista com Joseph Campbell

Joseph Campbell – Sempre digo a meus alunos para irem atrás da felicidade. Ir lá onde o senso profundo da sua existência está. Ir onde seu corpo e sua alma querem ir. Quando você tiver esse sentimento, fique com ele e não deixe ninguém desviá-lo. Você já leu Babbitt do Sinclair Lewis?
Bill Moyers – Faz muito tempo.
JC – Lembra da última frase? “Nunca fiz nada que quisesse fazer em toda minha vida”. Esse é o homem que nunca foi atrás da sua felicidade. Bem, eu ouvi essa frase (...). Um belo dia eu estava num restaurante e em uma mesa estavam sentados um pai, uma mãe e um menino magricelo de uns 12 anos. O pai disse ao menino: “Tome seu suco de tomate”. O menino respondeu: “Não quero”. O pai levantou a voz e disse: “Tome seu suco de tomate!”. E a mãe disse: “Não o obrigue a fazer o que ele não quer”. O pai olhou para ela e disse: “Ele não pode passar a vida fazendo só o que ele quer. Se ele só fizer o que quer, ele morre. Veja meu caso, nunca fiz nada que eu quisesse fazer em toda minha vida”. Eu pensei: “Ó Meu Deus, é o Babbitt em carne e osso!” (risos).
(...)
Uma forma maravilhosa de ensino que tínhamos no Sarah Lawrence, onde lecionei por 38 anos, era o fato de eu ter com os alunos encontros individuais que duravam cerca de meia-hora. Então, conversando sobre coisas que eles faziam, às vezes, eu tocava em algo que despertava uma resposta do aluno. Você vê os olhos abrindo, o rosto se transformando. É uma possibilidade de vida surgindo. E você pode pensar: “Eu espero que essa criança fique bem firme nisso”. Isso pode ou não acontecer, mas quando acontece, eles encontram o caminho da sua vida bem ali.
BM – Como aconselharia alguém a canalizar essa fonte de vida eterna, essa alegria?
JC – Sempre passamos por experiências que podem fazer isso. Uma pequena intuição de onde está sua alegria. Agarre-a! Ninguém pode lhe dizer o que vai acontecer. Você tem que aprender a reconhecer as próprias profundezas.
BM – O senhor sente, quando segue sua felicidade, que pode estar sendo ajudado por mãos ocultas?
JC – O tempo todo. É milagroso. Até criei uma superstição dentro de mim, pois acredito que elas aparecem o tempo todo. Se você segue a sua felicidade, você se coloca num caminho que estava ali o tempo todo esperando por você. E a vida que você deveria estar vivendo é aquela que está vivendo. Podemos ver isso. Você começa a lidar com pessoas que estão no campo da sua felicidade e elas lhe abrem portas. Eu sempre digo: “Siga sua felicidade e não tenha medo. As portas abrirão em lugares onde você nem imagina”.
BM – E o senhor se simpatiza com pessoas que não têm esses meios invisíveis de apoio? (risos)

JC – Sim, desperta compaixão aquele pobre coitado. Vê-lo tropeçando quando a corrente da vida imortal está a sua frente. Realmente desperta piedade (risos).

sábado, 19 de janeiro de 2008

A diferença que existe entre nós

Um animal frágil, com insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. Sem asas, dominou os ares; sem guelras, conquistou os mares. Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura. Mas o que é cultura?
Montaigne procurou não se espantar com os costumes dos Tupinambá, já que, como estudioso do assunto, entendia a tendência de cada qual considerar desumano o que não é praticado em seu meio.
“Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos de crueldade, mas que o fato de condenar tais defeitos não nos leve à cegueira acerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um homem vivo do que comer depois de morto; e é pior esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o queimar aos poucos, ou entregá-lo a cães e porcos, a pretexto de devoção e fé, como não somente o lemos mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos.” (1972, p. 107)
E terminou, ironicamente, depois de descrever vários costumes Tupi: “Tudo isso é interessante, mas, que diabo, essa gente não usa calça”.

Roque de Barros Laraia, escritor e professor da UnB, se assustou ao ver pela primeira vez um índio Kaapor rindo. Segundo ele, a emissão sonora, profundamente alta, parecia gritos de guerra e a expressão facial em nada se assemelhava com aquilo que ele estava acostumado a ver.
Nesta mesma tribo, acredita-se que se uma pessoa vê um ente falecido ela logo morrerá. O principal protagonista de um filme, realizado em 1953 por Darcy Ribeiro e Hains Forthmann, ao regressar de uma caçada contou ter visto a alma do pai na floresta. O jovem índio deitou numa rede e morreu dois dias depois.
Assim, cada povo possui crenças e símbolos próprios. Essa capacidade de criar cultura é o diferencial do ser humano que também aprendeu a se adaptar ao ambiente de forma mais rápida que os outros animais. Nossos meios de navegação são exteriores ao nosso corpo. Nós os fazemos e os utilizamos. A baleia teve de transformar-se ela mesma em barco. Foram-lhe precisas incontáveis gerações para chegar à sua condição atual.
Mas o que vemos hoje é uma total diferença entre os que tem acesso aos bens e serviços e os que ainda vivem afastados de todas as criações e descobertas da humanidade.

Ao ser indagado sobre como o sol morre todos os dias no Oeste e nasce no Leste, um morador de uma comunidade afastada em São Paulo respondeu: “Ele volta apagado durante a noite”.
É uma outra concepção de ver o mundo, uma vez que em muitos lugares o conhecimento de observatórios astronômicos ainda não chegou.
Dessa forma, cultura é “todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade de hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”, já dizia Edward Tylor (1832 – 1917). O essencial é evitar comportamentos preconceituosos diante do que nos parece incomum, ainda que seja dentro de um mesmo sistema.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Em 2008...

Para este e os próximos anos que virão:
SSS
“Não precisamos nem mesmo nos arriscar sozinhos na aventura, pois os heróis de todos os tempos já foram à nossa frente. O labirinto é bem conhecido só temos que seguir os passos do herói. E onde pensávamos encontrar algo abominável, encontraremos um Deus. E onde pensávamos que teríamos que matar alguém, teremos de matar a nós mesmos. E quando pensávamos em viajar para fora, chegaremos bem no centro da nossa própria existência. E onde pensávamos estar sozinhos, estaremos em companhia do mundo inteiro.”
SSS
................. Albert Einstein

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008