quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Mataram Irmã Dorothy, e aí?

Filmoteca

Mataram Irmã Dorothy. O título é pobre e ultrapassado, sem impacto nem novidade, características que não se restringem apenas ao nome do documentário. Recém-lançado (2008) e dirigido pelo norte-americano Daniel Junge, esse é um dos filmes que fazem parte do Festival de Cinema do Rio de Janeiro que começou, nesta semana, com as cabines de imprensa. Quem sabe poderia ter sido um longa até razoável, mesmo improdutível, se estivéssemos em 2006, no auge do processo.
No início, imagens da Amazônia apresentadas junto a um texto narrado pelo ator Wagner Moura com um ar imponente de credibilidade inabalável. Na seqüência do clichê que coloca o Pará como a terra sem lei, ainda temos que compartilhar da idéia de devastação avassaladora e aterrorizante da floresta em dados que até eu me sinto queimada.
Os primeiros indícios apontavam para a elevação da imagem de forasteiros colonizadores representados pela Irmã Dorothy Mae Stang, tida como o Anjo da Amazônia, que teria colaborado com a implementação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), motivo de discussões e desaprovado pela grande maioria dos agricultores locais que até hoje procuram um meio de subsistência na famosa e conturbada Terra do Meio.
É, então, que a história muda. Aparecem moradores de Anapu criticando a forma com que a missionária impunha suas idéias em defesa de um pequeno grupo que aparece ao longo do documentário chorando a perda de Stang.
Indiciada, em 2004, por colaborar indiretamente com trabalhadores rurais envolvidos na morte do segurança de um fazendeiro da região, como o próprio Delegado da Polícia Federal Ualame Machado Filho confirmou nervoso diante do júri e humilhado ante a defesa, é dispensável dizer que o lado contra a conterrânea do diretor é bem mais limitado e superficial do que deveria.
Indiscutivelmente, Dorothy (e os produtores) tinha um álibi essencial a seu favor e do PDS: o agora ex-procurador-chefe do Pará, Felício Pontes Jr, o mocinho da trama, que apesar do, pelo menos, aparente esforço com reuniões e viagens, não conseguiu melhorias na região por falta de apoio federal.
Ainda no núcleo bom da história, aparecem os promotores Sávio Brabo e Edson Cardoso, com atuações pífias, de chorar, perdidos junto aos aliados nos emaranhados de papéis da ação bem em frente ao juiz.
Assim como a acusação (que de tão ruim era quase uma defesa), os vilões, representados pelos réus e advogados criminais Eduardo Imbiriba e o centenário Américo Leal, aparecem mais na terceira e última parte do filme.
Sem surpresas, o documentário mostra os julgamentos, as prisões, a intromissão ilegal e clandestina do FBI desrespeitando a soberania nacional e as solturas dos dois fazendeiros acusados de serem os mandantes do crime.
A falta de dados novos e a mera reprodução dos fatos são os maiores problemas. Gera uma sensação de indiferença, sem falar que, para quem não conhece o caso, deve ser um confuso entra e sai de pessoas tratando, em cortes, de um assunto que não é dos mais simples.
Na verdade, acho que a idéia do longa era uma e foi mudando ao longo do processo quando perceberam que “o buraco era mais embaixo”. Não apenas a luta de uma missionária mártir sozinha que renegou tudo para ajudar os outros, mas um complexo sistema fundiário difícil de ser entendido, mais até por quem vem de fora. Assim, dizem que tudo que não serve para nada pode servir para qualquer coisa. Neste caso, o filme soa como mero arquivo de prateleira empoeirada.


*Texto pro tio Ronaldo Pai que ontem cobrou atualização do blog e pra minha mãe, minha leitora mais assídua.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

“Vivo num filme do David Lynch”

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Ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Foi muito divertido! Eu e o Ronaldo fomos, nesta segunda-feira (11), dar uma de tietes e entramos na fila por um autógrafo e pelo cheirinho cheiroso da mão do David Lynch!!!! Foi na Livraria da Travessa de um shopping no Leblon. O diretor, e agora também escritor, está no Brasil desde não sei quando (tô com preguiça de pesquisar!) para lançar um livro de meditação.
Já no início, o povo da tietagem começou aquela conversa paralela sobre filmes e budismo. Chegaram dois amigos para dar um apoio moral e, é claro, tirar fotos das nossas caras na fila, mesmo sob protestos. O Ronaldo levou logo um saco de DVD’s pro Lynch assinar e comprou um livro para mim (weeeeee) e outro para ele, dizendo que vai começar a meditar (e eu sempre finjo que acredito, pelo bem da relação).
Depois de muito esperar, chegou a nossa hora! Foi tão rápido que eu nem sei como explicar, sabe, aquela sensação meio lynchiana. Esqueci de pegar o livro de volta, não me lembrei de dar os DVD’s, ia saindo da fila sem pegar o cheirosinho e os seguranças ainda brigaram comigo. De repente, me jogaram pra dentro de novo e aí deu tudo certo. Ele assinou tudinho, pegou na minha mão e foi liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo! O Guto me disse que ele apertou mais a minha mão do que de qualquer outra pessoa da fila weeeeee. Ele me adorou! wweeeeeeeeeeee
Para comemorar, eu, o Ronaldo, o Guto e a Marcela fomos jantar. O Guto, como sempre, estava engraçado; a Marcela fashion; e o Ronaldo falando em mise-en-scène. Chegamos em casa e ficamos na madrugada olímpica nos preparando para amanhã (14), quando assistiremos Inland Empire no cinema. Sim, é verdade. David Lynch na telona com 172 minutos de história que ninguém entende. Mas depois de ver pessoalmente aquele cabelo sempre surreal, estou aceitando qualquer proposta. Obaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

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Na fila por um autógrafo
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Olha a cara de felicidade dele ao me ver hehe

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A alegria do Ronaldo mostrando os filmes e livros autografados

terça-feira, 17 de junho de 2008

Relembrando o que é cinema

Fim dos Tempos, até o cartaz é ruim

Já acordei atrasada. Pulei da cama. Fiquei de arrumar a casa antes de a Ana chegar da praia. Depois da limpeza, corri para o banho. Ainda deu tempo de esquentar o resto da pizza de anteontem. Entre quatro pedaços engolidos, o telefone. "Estou na porta, estamos atrasados". Dez minutos para o início da sessão. Engarrafamento. Inexplicavelmente, a moça desconfia da veracidade da minha carteirinha de meia-entrada.
Ainda conseguimos chegar na metade do trailer do novo filme do Zé do Caixão. A expectativa deve causar muita fome no Ronaldo. Hoje ele comprou dois cachorros-quentes para comer durante a sessão. Fim dos Tempos começou meio sem graça e...terminou ainda pior do que qualquer um poderia prever.
O roteiro é ruim. Não dá para se identificar com nenhum dos personagens. Nem mesmo com o casal que, por sinal, não convence. As tentativas de emocionar são trágicas. Fora algumas poucas cenas, como a morte da velhinha e o buraco no teto do carro, nada que se sobressaia. Um final anticlímax de um filme medíocre de plantinhas balançando ao vento que deixam os atores mais aterrorizados que o necessário. Foi pior do que limpar a casa numa terça de manhã.
Que me desculpem os fãs do Shyamalan, mas o único motivo de alguém dizer que gostou do filme é a vontade de permanecer ao lado de uma minoria supostamente mais entendida e iluminada. As superinterpretações que estão surgindo para tentar levantar a obra lembram as críticas das artes plásticas.
O dia só não foi um completo fracasso porque a senhora da pipoca nos deu um baralho de brinde. Com tudo mais tranqüilo, passamos o resto da noite jogando buraco, tomando sorvete e assistindo Clint Eastwood para não esquecer do bom cinema. Mesmo assim, fico curiosa para saber qual será a próxima bomb...ops..obra do M. Night. Quem dirigiu filmes como O Sexto Sentido, Corpo Fechado e A Vila ainda deve ter algo de bom para mostrar. Se não tiver, talvez eu faça o favor de emprestar a ele alguns dos roteiros velhos e empoeirados que meu irmão escreveu quando era criança.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Introdução às próximas postagens baseadas na monografia A Universalidade Atemporal do Mito no Cinema

Tanque de água, símbolo do inconsciente.

Há alguns meses, o Ronaldo me adicionou no blog dele de cinema. Então, como ainda estou em fase de mudança e sem internet, vou postar alguns trechos da minha monografia que foi uma fiel companheira nos últimos meses. Explicando resumidamente, ela trata das repetições nas estruturas e nos conteúdos de filmes, além de abordar também essas constâncias principalmente em mitologias, religiões, contos de fadas e ritos xamânicos.
O problema proposto foi o de tentar entender o que incide sobre as narrativas para que elas sejam tão semelhantes, mesmo quando construídas em épocas e lugares completamente diferentes. Em outras palavras, estudar o que motiva aquela uniformidade que ocorre no momento em que alguém conta uma história que deveria ser nova.
A hipótese é de que exista uma ligação entre os indivíduos que transcende o espaço e o tempo. Algo que é inerente à espécie humana e que faz os homens explicarem e narrarem alguns fatos metafísicos com metáforas através de imagens, seja pelos mitos, sonhos ou filmes, já que são explicações impossíveis de serem transmitidas por palavras (objeto utilizado pelo consciente) e que, por isso, precisam ser expressas por meio de símbolos (objeto do inconsciente).
No documentário O Poder do Mito, o jornalista Bill Moyers fala que, para Campbell, “a mitologia era a canção do universo tão enraizada no nosso inconsciente coletivo que dançamos ao som dela mesmo sem saber o nome da melodia”. Histórias como as mitológicas estão e sempre estarão presente na humanidade por serem próprias da psique do indivíduo. A força criadora do mito, do sonho e das narrativas em geral não morre. E é justamente por essa jocosidade e maleabilidade incomparáveis que ela é capaz de adaptar-se a situações sempre novas de um modo sempre vivo.
São arquétipos que estão presentes em todos nós e, conseqüentemente, nas nossas obras e nos nossos pensamentos. Somos livres para desprezarmos as mitologias e teologias, mas isso não impedirá que continuemos a nos alimentar de mitos degenerados e de imagens degradadas por toda a vida.
E mesmo com tanta repetição, vamos ao cinema e nos emocionamos com as mesmas histórias de ontem que fazem parte do nosso presente e chegam até nós por todos os lados de forma contínua, repetitiva, simbólica e enigmática.
É claro que não vou reproduzir a monografia inteira aqui. Vou tentar fragmentá-la em textos soltos e independentes. Se alguém se interessar, logo vou colocar o link para download. Entre os teóricos utilizados, estão: Baudrillard, Benjamin, Bettelheim, Campbell, Durand, Eliade, Jung, Propp e Vogler.