Julio Adrião. Louvável. Não conseguiria traduzir, aqui, em palavras, o que este ator constrói no palco. Durante um monólogo em que encena desde a índia do corpinho perfeito até o espanhol grosseiro e assassino, Johan Padan, o narrador-personagem italiano, conta suas aventuras na peça A descoberta das Américas através de onomatopéias, palavras e expressões. Sozinho em cena. Sem nenhum objeto como auxílio.
Confesso que quando vi o título nem me interessei pelo tema. Mas até eu, típica introvertida que costuma rir só por dentro em eventos artísticos e culturais, tive de ceder à performance que se desenrolava a quatro metros da minha poltrona, com apenas um ator multiplicado em vários, lotando o palco.
E tudo começa com uma fuga de Johan que o faz entrar na caravela “de um tal de Cristóvão” e seguir para Sevilha, onde ele começa a ter contato com as primeiras frutas típicas, índios e nativas sem muitas reservas, além de presenciar, assombrado, um massacre dos colonos sobre os colonizados.
Depois de um longo período, cansado e querendo voltar para casa, consegue partir numa embarcação acompanhado de quatro amigos. Mas eis que naufragam e o jeito é utilizar uns porcos que estavam no barco como novo meio de transporte aquático, já que, segundo a personagem, são animais que bóiam e possuem senso de direção infalível.
Assim, agarrados em porcos, chegaram à Flórida! Só não contavam com os índios locais que trocariam os cinco amigos por cinco caixotes de caranguejos com uma tribo canibal, habitante de outras terras.
Mas Johan, com seus métodos malandros, consegue se livrar do caldeirão e ainda se torna o Deus do Sol e da Lua.
Idolatrado e prevendo uma futura dominação e um novo massacre, tenta catequizar cerca de cinco mil nativos que ficam eufóricos com a idéia de uma nova religião.
Fazendo algumas mudanças nas histórias bíblicas para facilitar a compreensão dos índios, Johan substituiu a maçã pela manga, a pomba do Espírito Santo por Maria e os doze apóstolos foram divididos entre seis homens e seis mulheres. A única parte que os alunos suspeitaram de possível alteração foi no momento da explicação sobre a ressurreição, esta contada sem acréscimos nem cortes.
O tempo todo é como se estivéssemos lendo um livro ou escutando um conto de fadas. A ausência de cenário desperta nossa imaginação de acordo com o que vai sendo dito, expresso pelo rosto, corpo e por ruídos.
Confesso que quando vi o título nem me interessei pelo tema. Mas até eu, típica introvertida que costuma rir só por dentro em eventos artísticos e culturais, tive de ceder à performance que se desenrolava a quatro metros da minha poltrona, com apenas um ator multiplicado em vários, lotando o palco.
E tudo começa com uma fuga de Johan que o faz entrar na caravela “de um tal de Cristóvão” e seguir para Sevilha, onde ele começa a ter contato com as primeiras frutas típicas, índios e nativas sem muitas reservas, além de presenciar, assombrado, um massacre dos colonos sobre os colonizados.
Depois de um longo período, cansado e querendo voltar para casa, consegue partir numa embarcação acompanhado de quatro amigos. Mas eis que naufragam e o jeito é utilizar uns porcos que estavam no barco como novo meio de transporte aquático, já que, segundo a personagem, são animais que bóiam e possuem senso de direção infalível.
Assim, agarrados em porcos, chegaram à Flórida! Só não contavam com os índios locais que trocariam os cinco amigos por cinco caixotes de caranguejos com uma tribo canibal, habitante de outras terras.
Mas Johan, com seus métodos malandros, consegue se livrar do caldeirão e ainda se torna o Deus do Sol e da Lua.
Idolatrado e prevendo uma futura dominação e um novo massacre, tenta catequizar cerca de cinco mil nativos que ficam eufóricos com a idéia de uma nova religião.
Fazendo algumas mudanças nas histórias bíblicas para facilitar a compreensão dos índios, Johan substituiu a maçã pela manga, a pomba do Espírito Santo por Maria e os doze apóstolos foram divididos entre seis homens e seis mulheres. A única parte que os alunos suspeitaram de possível alteração foi no momento da explicação sobre a ressurreição, esta contada sem acréscimos nem cortes.
O tempo todo é como se estivéssemos lendo um livro ou escutando um conto de fadas. A ausência de cenário desperta nossa imaginação de acordo com o que vai sendo dito, expresso pelo rosto, corpo e por ruídos.
Merecidamente vencedor do Prêmio Shell 2005 de melhor ator, Adrião possui capacidade de concentração e técnica de respiração invejáveis. Utiliza como ninguém a rapidez que a comédia exige. Um suor que lhe cai como água para fazer parte da peça nos deixando exaustos e admirados com a aula de oratória, colocando no chão qualquer cursinho do tipo “a arte de falar em público”. São construções de falas perfeitas, sem qualquer escorregão durante os noventa minutos de apresentação.
Eleva nossa consciência. Revigora nossa relação com o teatro nos mostrando quão renovadora é essa experiência, naturalmente que do lado de cá da platéia, pois, como fica claro ao final da peça, certos papéis não podem ser exercidos pelos que apenas gostam disso ou daquilo. É preciso muito mais. Talento é essencial, fundamental. E Julio Adrião tem qualidade inata para fazer teatro.
Eleva nossa consciência. Revigora nossa relação com o teatro nos mostrando quão renovadora é essa experiência, naturalmente que do lado de cá da platéia, pois, como fica claro ao final da peça, certos papéis não podem ser exercidos pelos que apenas gostam disso ou daquilo. É preciso muito mais. Talento é essencial, fundamental. E Julio Adrião tem qualidade inata para fazer teatro.




